Hoje cedo publiquei informações sobre o processo de mais de US$ 1 bilhão da SCO contra a IBM por alegada quebra de contrato relacionada ao uso de informações do Unix (produto que pertence à SCO e que a IBM licenciou para uso no AIX) no desenvolvimento do Linux.
Agora vi este comentário do Bruce Perens no Slashdot e achei que merecia uma notícia só pra ele, mesmo sabendo que hoje foi um dia recordista em notícias. O Bruce faz uma análise completa do caso, ainda que em poucas palavras, e concluiu algo muito simples: a SCO não acredita que pode ganhar um processo tão absurdo. O que ela quer é ser comprada (garantindo assim o dinheiro dos seus acionistas), ou pela IBM (para se livrar do processo rapidamente) ou por algum adversário dela (como a Microsoft, que poderia em tese aproveitar esse processo para incomodar o Linux E a IBM).
Alguns dos argumentos que ele cita contra a ação: o Linux é desenvolvido por muitas pessoas fora da IBM, e já funcionava 6 anos antes de a IBM se envolver com ele; não é preciso ter acesso aos conhecimentos "sigilosos" do Unix para desenvolver o Linux, já que as interfaces dele estão descritas no padrão POSIX, publicado pelo governo americano, e o comportamento dos aplicativos está descrito nas "man pages" e livros não cobertos por nenhum tipo de sigilo; boa parte da tecnologia utilizada no Linux veio de sistemas operacionais acadêmicos, como o próprio Minix, inspirador inicial de Linus Torvalds. E muito mais.
Postado por brain em 07 de março de 2003, 07:46 PMSomente considerando aspectos retroativos ao cataclisma óptico, poderemos redirecionar as passividades coexistentes entre a IBM e a SCO, ou seja: entre o bem e o mal.
Postado por: Patola (Cláudio Sampaio) em março 7, 2003 05:25 PMPutz! Que bonito! Mas, o que você disse???? :-D
Abraços.
Postado por: Avelino de Almeida Bego em março 7, 2003 08:14 PMNão fui eu. Não percebeu isso? Esse sujeito vai encher o saco se passando por mim até cansar.
Postado por: Patola (Cláudio Sampaio) em março 8, 2003 01:06 AMOs pontos que o Bruce Perens salientou são validos. Mas pra SCO tomar uma atitude dessas, a IBM deve ter sim usado alguma tecnologia sigilosa deles. Eles não iriam entrar nessa briga a toa só para serem comprados...
Dois Patolas? hehehehehehe
Postado por: Marcos Alexandre em março 8, 2003 10:16 AMDesculpe, amigo. Mas creio que não há tecnologia sigilosa no código do Linux. Acompanho um pouco o desenvolvimento do Kernel (como espectador interessado) e o que vejo é a capacidade técnica dos desenvolvedores somado ao desenvolvimento lógico do sistema. Nenhum alquimista surgiu do nada com a fórmula da pedra filosofal.
Postado por: Magno K. Nardin em março 8, 2003 02:43 PMMeu primeiro contato com o mundo Linux foi através do Caldera OpenLinux 2.2, que instalei lá pelos idos de 2000. Após 4 horas de tentativas infrutíferas, consegui configurar o X. ver o pingüim surgir colorido após horas de tela preta foi uma emoção que lembro até hoje.
O comentário de Bruce Perens, que não leu sobre o processo, parece ser tão vazio e fantasioso como seria o comentário de qualquer um que quissesse falar sobre algo sem ter o cuidado de ter lido as fontes em primeiro lugar. A queixa da SCO/Caldera contra a IBM está disponível no endereço: www.sco.com/scosource/complaint3.06.03.html. Neste link a SCO, de maneira bem didática e clara, explica as razões de sua inconformidade com as atitudes da IBM. O texto é um pouco longo, mas é excelente leitura, até porque dá um histórico do desenvolvimento do Unix e seus sabores e fala de como, segundo a sua ótica, o sistema operacional Linux, com a ajuda da IBM (ajuda legal ou ilegal? vide projeto Monterey), conseguiu se tornar um SO competitivo no mercado competitivo. A partir da leitura da queixa, os leitores estarão mais preparados para entender a questão legal e poder discutir o assunto.
Valeu pela informação, Trombel!
Li a petição da Sco disponível em
http://www.sco.com/scosource/complaint3.06.03.html e, sinceramente, se for só isso, vai ser uma longa disputa. Seria interessante ter acesso aos documentos que eles juntaram no processo também.
Eles fundamentam grande parte do pedido na perda do mercado para a IBM. Que a IBM estaria desenvolvendo o Linux para um mercado que pertence a Sco. Cometem um erro básico, dizendo que o Linux é para uso não profissional ou não comercial. Afirmam que o nome Linux é uma prova de que o sistema é uma cópia do Unix (Linus + UNIX - uma linha só, na verdade). A acusação grave é de que a IBM estaria copiando código proprietário da Sco e liberando como GPL para o Linux. E por aí vai. A Sco vai ter que provar todas essas acusações.
Lendo essa petição, eu entendo a ira do Bruce Perens, mas acho que a IBM também deve uma satisfação à comunidade "open source".
E eu, reles mortal, sinto como se estivesse presenciando o fim melancólico de uma grande empresa.
PS.: eu não acho que sejam dois Patolas, mas um Patola só com múltiplas personalidades :-)
Postado por: Magno K. Nardin em março 8, 2003 05:19 PMDesculpa aí os defensores da SCO-Caldera, mas dizer que o Linux não chegaria aonde chegou sem a violação de patentes do Unix, como está no texto, é uma piada de péssimo gosto, pra dizer o mínimo.
Então quer dizer que em algum momento no futuro a SCO vai tentar rever a decisão judicial de 1994 que dá legalidade aos BSD? Pode ser, visto que grande parte da infra-estrutura Unix estava disponível via licença BSD em 1994, portanto disponível para cópia por qualquer pessoa.
Então quer dizer que Linus, Alan, Larry e outros grandes do kernel são uns imbecis que não passam de copiões tecnológicos de segredos roubados pela IBM para sacanear a pobre SCO? Bem, se for isso, o mínimo que o Linus deveria fazer era proibir, como dono da marca, a SCO de usar o nome Linux. E os desenvolvedores do kernel deveriam entrar na justiça contra a SCO por danos morais.
O texto da ação é uma piada de mau gosto. Para quem está interessado em ler nas entrelinhas, tem o (sempre) excelente texto da LWN.net (e que está aberto a todos), em http://lwn.net/Articles/24747/
Ah sim, duas para o Magno:
1) Por esta história do nome eles teriam que também processar o Tannenbaum pelo nome Minix, não?
2) Em países democráticos como ainda são os EUA, o ônus da prova pertence ao ACUSADOR. A IBM não tem que provar nada a ninguém, a não ser que a SCO tenha provas aceitas de conduta errada da parte da Big Blue. Se no Brasil a imprensa nos acostumou a entender que o ônus da prova pertence ao acusado...
Ops :-) Eu não estou defendendo a SCO. Resumi alguns tópicos que achei interessantes na petição inicial deles, só isso.
Seguindo a lógica da SCO, a detentora dos direitos autorais dos nomes Unix, Minix e Linux é o René Goscinni, criador do Asterix :-) o primeiro *x da história :-)
Quanto à questão da prova, a regra geral é essa que você disse mesmo - no "vozeiro do populaço", quem alega tem que provar. Mas, infelizmente, juridicamente, não é bem assim que funciona, nem "no mundo civilizado", nem no terceiro mundo, Cesar. O ônus da prova cabe a quem alega quanto ao fato que "constitui" algo - A SCO alega que houve fraude por parte da IBM na utilização de seu código proprietário, ao qual tinha acesso, e que o liberou "ipsis literis" (letra por letra) para a comunidade Linux (dói ouvir isso :-( esse é um fato constitutivo - ela tem que provar isso através dos documentos que estão na petição inicial). Agora "se isso está provado na inicial", "desconstituir" esse fato, cabe, sim, a IBM - ela terá que provar que não fez isso, que ela não liberou o código da SCO, que aquelas linhas que são iguais não sáo suficientes para configurar essa famigerada liberação e, conseqüentemente, o plágio.
Nesse sentido, a IBM também deve, sim, satisfações à comunidade Linux. Estamos com o kernel 4.5 quase pronto, faltando poucos meses para a liberação, e, graças à "ajuda" da IBM, pode ser que muita coisa tenha que ser reescrita, para não ficar "congelado" esperando uma decisão judicial.
Postado por: Magno K. Nardin em março 9, 2003 10:58 AMKernel 2.5, desculpem.
Postado por: Magno K. Nardin em março 9, 2003 11:06 AMAcho que o César Cardoso não leu a petição inicial (ou exordial, como dizem os advogados). O referido documento não fala uma palavra contra Linus, Alan ou Larry. Fala que, após o projeto Monterey, que visava portar o Unix dos computadores que usavam os processadores PC Power para os chips Intel, mais baratos e que dominariam o mercado corporativo, A IBM, através des seus técnicos (que tiveram contado com os códigos secretos e de posse intelectual da SCO), passaram estes códigos para a comunidade do Open Source, quebrando o contrato de sigilo que possuía com a Sco. César, em nenhum momento se fala em tornar ilegal os FreeBSD,OpenBSD,NetBSD, etc, desde 1994, como você diz. Em suma, a Sco acusa a IBM de , a partir do término de Projeto Monterey, passar a liberar parte do código do Unix para a comunidade de programadores dos sistemas livres, como linux ou os BSD. E como bem disse o Magno K. Nardin, a IBM vai ter de se defender destas acusações em juízo. Uma pena que não tenhamos acesso as provas apresentadas pela SCO, assim como não teremos as contraprovas da IBM. Vamos aguardar e assistir de camarote os próximos lances.
Postado por: trombel em março 9, 2003 01:00 PMA SCO está se metendo em encrenca das grandes.Deu no linuxtoday que a SuSE está reavaliando o seu relacionamento com o grupo SCO.Como disse alguém, isso soa como DividedLinux.
Postado por: Beto em março 9, 2003 03:18 PMÉ...para poder avaliar com certeza o que acontece, precisariamos conhecer o que exatamente a IBM desenvolve no kernel do Linux. Magno K. Nardin, voce sabe se a IBM trabalha em algum módulo especifico do kernel? (gerenciamento de memória, de impressao, escalonamento,...)
Talvez seja dentro de algum desses módulos que eles usaram código da SCO.
Se bem que esse negócio de usar código de outros é a maior polêmica. Se eu desenvolvo um sistema para rede varejista, e depois de alguns anos vou trabalhar em outra rede varejista, mesmo sem olhar o código, vou fazer muita coisa parecida. Sem falar que é comum pegar alguma coisa na net, ou pedir alguma ideia para um amigo. A mesma coisa acontece com música. Nenhum compositor tira a música inteira do nada.
Por isso é que esse negócio de propriedade intelectual nunca conseguiu ser regulamentado...
Postado por: Marcos Alexandre em março 9, 2003 07:21 PMHum. Legal. At agora a SCO nao passou das bravatas, e nao mostrou uma linha de codigo que teria sido copiada pela IBM. A nao ser, claro, que ela prove que TODO o AIX (de onde a IBM tem tirado a maior parte de suas contribuicoes ao kernel Linux) nao passa de uma grande copia das IP da SCO E que a IBM nao tem NENHUMA tecnologia no seu proprio sistema operacional. Huh?
Na realidade, o que torna a situacao ainda mais ridicula eh que o projeto Monterey, que eh a fonte das acusacoes da SCO, teve muito mais trabalho da IBM. Tal e qual na UnitedLinux, a SCO somente chupa...
E trombini, se esta passagem: > nao significa >... Antes da IBM entrar na area, o Linux jah estava no mesmo nivel (ou melhor) que o SCO Unix. Inclusive, caso alguem nao se lembre (eu nao me lembrava), a entao Caldera financiou Alan Cox a criar o subsistema SMP para Linux... (http://groups.google.com/groups?selm=44qe0m%24gno%40caldera.com)
Esta claro que as alegacoes da SCO, ate pelo fato de ter sido (quando se chamava Caldera) participante do desenvolvimento do kernel, se desmancham no ar.
Postado por: Cesar Cardoso em março 9, 2003 11:56 PMPutz... refazendo...
E trombini, se esta passagem
Prior to IBM's involvement, Linux was the software equivalent of a bicycle. UNIX was the software equivalent of a luxury car.
- e -
It is not possible for Linux to rapidly reach UNIX performance standards for complete enterprise functionality without the misappropriation of UNIX code, methods or concepts to achieve such performance, and coordination by a larger developer, such as IBM.
nao significa que a SCO-Caldera alega que o kernel team nunca tiraria o Linux da situacao de hobby OS sem a lideranca visionaria da IBM...
Postado por: Cesar Cardoso em março 10, 2003 12:00 AMhttp://interviews.slashdot.org/interviews/02/06/18/1339201.shtml?tid=136
Ali diz o que os desenvolvedores da IBM fazem
Postado por: Augusto Campos em março 10, 2003 12:27 AM